REVIEW: Draconian – “Sovran” (Relançamento 2021)


Draconian – “Sovran”
Lançado originalmente em 30 de outubro de 2015
Mutilation / Cold Art Industry – NAC. – 1h7min

Quando a vocalista Lisa Johansson oficializou sua saída do Draconian em novembro de 2011, muitos acreditaram que a banda, uma das pioneiras do doom metal sueco, estava liquidada. Substituir o canto angelical que era o yin do yang demoníaco de Anders Jacobsson parecia missão impossível. 

Sem se dar conta dessa impossibilidade, Anders e os outros foram lá e fizeram, ainda que tenham demorado um bocado para tal. Na sul-africana Heike Langhans não apenas encontraram uma substituta, mas uma artista muito mais versátil, que se envolve em todas as etapas do processo e ainda joga World of Warcraft.

“Sovran” é a palavra albanesa para “rei”, “majestade”, “soberano”. No contexto do álbum — o sexto do Draconian, que levou quatro anos para ficar pronto e simboliza o início de uma nova fase da banda — refere-se à onisciência do universo, a como todos os seres estão conectados, interligados, e a como o amor está no centro de tudo, reinando absoluto. 


Obviamente, as imagens que Anders — notável leitor de Keats, Byron e outros poetas românticos ingleses — conjura nas letras requerem tanto altíssimo grau de abstração quanto musculatura intelectual hiperdesenvolvida para serem absorvidas em sua plenitude. Em contrapartida, o som — obra do cérebro musical da banda, o guitarrista Johan Ericsson — é surpreendentemente acessível, construído sobre guitarras, baixo e bateria. Os teclados, quase sempre na função de ambiência, são mera camada de verniz; tipo de acréscimo feito nos instantes finais, mas que faz toda a diferença. 

O pontapé inicial é dado com “Heavy Lies the Crown”. A um riff introdutório na escola de Tony Iommi seguem-se lamentos intercalados por Heike e Anders, a Bela e a Fera dos finais infelizes. A música termina de súbito, como a batida derradeira de um coração... que volta à vida poucos e dramáticos segundos depois em “The Wretched Tide” antes de sucumbir à própria falta de esperança. 

“Como você ousa fingir não ver? / Minhas lágrimas são presentes para você”, diz a letra de “Stellar Tombs”, faixa escolhida para single e videoclipe. Em “No Lonelier Star” são as pinceladas black à Septicflesh que chamam a atenção. Na moderna “Dishearten”, Heike exibe seu talento como letrista ao versar sobre a depressão que vem/pode vir com as mudanças pessoais. E se Johansson era uma cantora mais experiente, instruída, Langhans, vinte e poucos anos na época, é puro sentimento e capacidade interpretativa.


Com participação de Daniel Anghede (Crippled Black Phoenix), “Rivers Between Us” é uma tentativa de balada inspirada no rock gótico e oitentista; seu solo final é um aceno a Steve Rothery (Marillion). O enfoque no passado também conduz a melancólica “The Marriage of Attaris”, que não faria feio num disco antigo do Anathema ou do Katatonia. O ponto final é colocado com um leve, leve aumento nas bpm; e devido a isso “With Love and Defiance” acaba soando como a bonus track que, de fato, é. 

Passados pouco mais de cinco anos de seu lançamento original, “Sovran” finalmente ganha versão brasileira. E que versão: slipcase com hot-stamping prateado, pôster 24cm x 36cm dupla-face — uma delas trazendo a belíssima arte de capa do romeno Costin Chiorianu em tamanho ideal para ornamentar a parede de casa — e o cuidado com os mínimos detalhes (leia-se “respeito ao colecionador”) que é padrão dos títulos da Cold Art Industry. 

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(Mas corra. A tiragem é limitada em 500 peças.)

Comentários

  1. Excelente Resenha! Perfeita como sempre! Dica: Coloca um contador de acessos amigão!

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