DA PIOR PARA A MELHOR: “Use Your Illusion”, do Guns N’ Roses


Para celebrar os 30 anos de “Use Your Illusion I” e “Use Your Illusion II”, do Guns N’ Roses, convidei um supertime de feras para dar notas a de 0 a 10 cada uma das 30 músicas presentes nos álbuns. Após somar tudo, eis aqui o resultado, da pior para a melhor:


#30 – MY WORLD

Um “salve” de Axl ao NWA e aos rappers Eazy-E e Tupac Shakur. No pior lugar possível para se fazer isso.


#29 – DON’T CRY (ALT. LYRICS)

Precisava? 


#28 – YOU AIN’T THE FIRST

A mais amarga música para acampamentos já registrada. 


#27 – SHOTGUN BLUES

Numa briga entre Axl e Vince Neil (Mötley Crüe), quem mais aí torceria pela briga?


#26 – DON’T DAMN ME

“Algumas vezes quero matar / Algumas vezes quero morrer / Algumas vezes quero destruir / Algumas vezes quero chorar / Algumas vezes posso aguentar / Algumas vezes posso desistir / Algumas vezes posso dar importância / Outras sequer me importo”. Talvez nenhuma outra estrofe no álbum resuma melhor Axl Rose em 1991.


#25 – KNOCKIN’ ON HEAVEN’S DOOR

Seria a mais conhecida regravação de uma música de Bob Dylan se Jimi Hendrix nunca tivesse feito “All Along the Watchtower”.


#24 – LIVE AND LET DIE

Presença garantida em qualquer lista de covers que ficaram melhores do que os originais. Sorry, Macca.  


#23 – BAD APPLES

Nem as mais recentes técnicas de clonagem fariam uma mistura tão espetacular de Rolling Stones com New York Dolls como essa.


#22 – GET IN THE RING

Um dedo do meio em forma de música a todos os críticos e detratores da banda; muitos dos quais citados nominalmente na letra. 


#21 – PERFECT CRIME

Crime é pensar que houve um momento em que essa era a música que abria os shows do Guns.


#20 – THE GARDEN

Tematicamente, a continuação de “Welcome to the Jungle”. 


#19 – SO FINE

A morte de Johnny Thunders em 23 de abril de 1991 bateu forte em Duff, que compôs o tributo que é “So Fine” usando praticamente os mesmos acordes de “Knockin’ On Heaven’s Door”. 


#18 – BREAKDOWN

Quem discorda que esta é a melhor letra escrita por Axl está morto por dentro. 


#17 – GARDEN OF EDEN

A letra faz jus à máxima de Ozzy Osbourne: “Religião é como um pênis: tudo bem ter um, mas não é legal ficar querendo enfiar nas pessoas à força.”


#16 – BACK OFF BITCH

A mais raivosa entre as inúmeras provas de que Axl não lidou bem com o pé na bunda que levou de Erin Everly.


#15 – DUST N’ BONES

Ninguém disse a Izzy que seria fácil fazer parte da maior banda de rock do mundo. Usando a expressão mais 2021 possível, em “Dust N’ Bones”, ele praticamente diz que quem vê close, não vê corre. 


#14 – COMA

Impossível dizer o que é mais legal: a complexidade do arranjo ou o resultado claustrofóbico e cinematográfico da combinação letra e música.

        “Música que sempre amei e nunca imaginei que fosse ver ao vivo. A banda a tocou, magistralmente, em seu show no Rio de Janeiro em 2016. Lembro de ficar todo arrepiado ao ouvir o coração pulsante vindo do palco e simplesmente não acreditar no que me esperava, repetindo incessantemente para um amigo: ‘CARALHO, É ‘COMA’, É ‘COMA’!’ Ao ver Duff McKagan e seu imponente baixo soltando as primeiras notas, não aguentei e as lágrimas vieram. Vivenciar aquilo foi simplesmente incrível.” (Augusto Hunter)

        “Impossível de ser digerida em uma única ouvida, ‘Coma’, a faixa mais pesada — lírica e musicalmente — do Guns N’ Roses, é uma verdadeira obra de arte. Onze minutos de música, sem refrão, com diferentes nuances e profundidades. Aqui, Axl Rose sobe um degrau e se coloca acima de outros grandes compositores do ramo. Mais que uma música, uma experiência.” (Matheus Augusto)


#13 – LOCOMOTIVE

O riff de duas notas soa como uma locomotiva nos trilhos. O derradeiro verso “If love is blind I guess I’ll buy myself a cane” [“Se o amor é cego, acho que vou comprar uma bengala”] é de uma genialidade shakespeariana. 

        “A música que traz a expressão ‘use your illusion’ [‘use sua ilusão’] na letra parece oferecer uma ótima perspectiva dos caminhos criativos que o Guns N’ Roses poderia ter seguido se tivesse a oportunidade de gravar mais um álbum de inéditas com essa formação. Deixa qualquer fã, acima de tudo, intrigado.” (Igor Miranda)


#12 – 14 YEARS

Embora a letra pareça falar sobre um casamento fadado ao fracasso, “14 Years” fala a respeito da amizade entre Izzy Stradlin e Axl Rose. Para o guitarrista, conviver com prostitutas e traficantes não era nada comparado a ter de lidar com Axl. 


#11 – YESTERDAYS

Axl canta que dias passados têm nada para ele. Passados trinta anos, e à luz do lançamento de “Absurd”, será mesmo?


#10 – RIGHT NEXT DOOR TO HELL

Essa música inclui um “fuck youuuuuuu” [“vai se fodeeeeeeer”] de treze segundos de duração. Precisa de mais? 

        “O que você faria se fosse acusado injustamente de agredir sua vizinha e, de quebra, fosse preso e obrigado a pagar 5 mil dólares de fiança? Axl Rose, Izzy Stradlin e seu parceiro de composição Timo Caltia fizeram do caso a música que seria a porta de entrada para ‘Use Your Illusion I’. Com uma das introduções mais sombrias do hard rock, as guitarras de Slash trazendo um clima ameaçador, e Axl soando como num desabafo, ‘Right Next Door to Hell’ é o próprio ditado ‘Se a vida te der limões, faça uma limonada’; uma experiência infernal convertida em poesia e agressividade.” (Leandro Isoppo)


#9 – DON’T CRY

No Brasil de hoje? Impossível.


#8 – DEAD HORSE

Não faça regressão. Ou faça e quem sabe assim você compõe uma música feito “Dead Horse”.

        “Desde a primeira vez que ouvi o ‘Use Your Illusion I’ tive algo com essa música e com como ela começa. Todos nós em diversos momentos da vida passamos por algo parecido, como se estivéssemos de saco cheio. E o legal é que ela começa falando que, ‘ok, não é da sua conta, mas dá licença de desabafar?’ [Risos] Gosto muito dela!” (Augusto Hunter)

        “Uma faixa que resgata os bons tempos do ‘Appetite for Destruction’, pois mantém aquela pegada mais hard rock que acabou se perdendo neste trabalho. Além disso, ‘Dead Horse’ tem um dos melhores solos de Slash, não apenas no GN’R, mas em toda a sua carreira.” (Sergiomar Menezes)


#7 – BAD OBSESSION

“Toda a garotada que está vindo agora vai achar que foi o Guns N’ Roses que inventou todos aqueles riffs. Na verdade, eles chupam do Aerosmith que chupava dos Rolling Stones, que já tinham chupado de alguém antes...”, disse Renato Russo em 1992. Pode até ser, mas como não amar a trinca guitarra slide, gaita e cowbell da introdução de “Bad Obsession”, a ode de Izzy ao lado mais sombrio da dependência química?


#6 – DOUBLE TALKIN’ JIVE

“Double talkin’ jive get the money motherfucker ‘cause I got no more patience” — aposto que você leu isso cantarolando mentalmente. 

        “‘Double Talkin’ Jive’ é uma das poucas músicas que guardam o que fez a banda ser considerada a mais perigosa do planeta. Ainda há o senso de periculosidade pelo qual ela ficou conhecida em seu início.” (Cláudio Borges)

        “Provavelmente a música de que mais gosto dos ‘Illusion’, já começa com uma batida de Matt Sorum que, apesar de simples, é bem empolgante, seguida por um riff muito bom. A linha vocal de Izzy Stradlin, com aquela voz mais ‘debochada’, combina demais com a atmosfera da música. Sem contar, é lógico, o refrão curto e maravilhoso. ‘Double Talkin’ Jive’ encerra com um solo melódico e belíssimo que me remete a algo oriental. O desfecho acústico é bom, porém não faria falta. Ao vivo, cantada por Axl, também é muito boa, com direito a um solo estendido de Slash.” (Thiago Rodrigues)


#5 – NOVEMBER RAIN

Da série “Antes eu sonhava, agora já não durmo”, houve um tempo em que a Rádio Cidade tocava a versão ao vivo no Rock in Rio 3 (2001) diariamente em sua programação. Experimente sintonizar 102.9 no Rio de Janeiro agora.

        “Em ‘November Rain’ a banda capturou o seu espírito de forma magistral. Sempre me emociona. Marcou porque foi um dos primeiros videoclipes de rock a que assisti, no qual tudo era um espetáculo à parte, verdadeiramente épico.” (Líbia Barros Brígido)


#4 – PRETTY TIED UP

Na qualidade de melhor compositor que já passou pelas fileiras do Guns, Izzy aqui conta a história de uma dominatrix que morava e aprontava todas na Melrose Avenue. 

        “Minha música favorita é ‘Pretty Tied Up’, que era bem avançada para 1991, com ótimos vocais de Axl, Influências exóticas, guitarras no talo e Izzy Stradlin combinados em uma faixa monstruosa e barulhenta.” (Michael Ladano)


#3 – CIVIL WAR

“Eu queria que o Axl se tornasse um porta-voz de sua geração, igual a John Lennon”, disse o ex-empresário do Guns N’ Roses, Alan Niven. “Civil War” quase nos faz acreditar que isso seria possível.


#2 – ESTRANGED

Às vezes tudo de que precisamos é pular na água e nadar com um grupo de golfinhos. Eis o ideal de paz interior segundo Axl Rose.

        “Simplesmente uma das melhores músicas da história! Foi um dos meus primeiros contatos com o Guns N’ Roses. Todos os seus elementos fazem dela uma viagem musical simplesmente absurda!” (Leonardo Bondioli)

        “‘Estranged’ está na galeria de baladas épicas e consegue se destacar pelas belas melodias de guitarra de Slash e pelo fato de ter um arranjo forte o bastante para que a música possa continuar por nove minutos e meio sem perder a força. Axl Rose entrega uma de suas melhores letras, que junto com os pianos e solos de Slash fazem da canção umas das melhores do disco.” (Rodrigo Talayer)


#1 – YOU COULD BE MINE

Alguém em algum momento pensou que o primeiro lugar poderia pertencer a outra música que não essa? 

        “‘You Could Be Mine’ é, sem dúvida, minha faixa preferida dentre todas que compõem esse lançamento duplo do Guns N’ Roses. Da introdução pelas linhas de bateria e baixo, até o rasgado grito de Axl ao final, é uma canção explosiva. Composta na época do clássico ‘Appetite for Destruction’, traz consigo uma pegada hard rock e certamente poderia ter sido mais um sucesso dentre todos lançados no imortal disco de 1987. Um hit nato! Como se não bastasse todo o potencial que a música por si só tem, ela foi associada a uma produção de Hollywood, vindo a fazer parte da trilha sonora do filme ‘Exterminador do Futuro 2’, com Arnold Schwarzenegger, o que ajudou ainda mais a catapultá-la diretamente para o topo das paradas mundiais, nunca mais sendo esquecida.” (Otávio Juliano)

        “Quando vi o videoclipe de ‘You Could Be Mine’ pela primeira vez a minha cabeça bugou. Era uma sucessão de coisas maravilhosas: introdução de bateria animalesca, baixo fortíssimo e empolgante, riff de guitarra destruidor, Axl no auge, refrão foda, banda com visual do caralho e performance altamente energética... Tudo isso somado ao filme matador do momento, ‘Exterminador do Futuro 2’. Arnold ídolo de toda a molecada da época. Não dá para descrever a injeção de adrenalina que correu em minhas veias, a dose de serotonina que tomou conta do meu corpo. Naquele momento, as raízes inquebráveis de Thiê Rock se solidificaram e eu soube que viver o rock não era apenas uma opção; ele seria a base da minha trajetória de vida.” (Thiê Rock)



Agradecimentos especiais aos amigos e colegas que participaram da votação:

Augusto Hunter (site Headbangers Brasil)

Cláudio Borges (canal Resenhando; loja Headbanger)

Igor Miranda (revista Guitarload; canal Igor Miranda; site Igor Miranda; site Whiplash.net)

Leandro Isoppo (canal Alma Hard)

Leonardo Bondioli (site O Legado do Rádio; loja Lisztomania)

Líbia Barros Brígido (canal Consultoria do Rock)

Matheus Augusto (site Ligado à Música)

Michael Ladano (canal Mike LeBrain; site MikeLadano.com)

Otávio Juliano (Instagram @showsbyotavio)

Rodrigo Talayer (canal Rodz Online)

Rogério Talarico (site MetalConcerts.net)

Sergiomar Menezes (Instagram @rebelrockrs; site Rebel Rock)

Thiago Rodrigues (canal Flaming Rock)

Thiê Rock (banda Lion Heart)


Comentários