ENTREVISTA: Músicos do Kreator comentam novo álbum e elegem Big 4 do metal alemão

 


No último dia 10, chegou às lojas e às plataformas digitais (via Nuclear Blast Records) “Hate Über Alles”, o décimo quinto álbum de estúdio do Kreator. Na mesma semana, o guitarrista Sami Yli-Sirniö e o baixista Frédéric Leclercq concederam uma entrevista coletiva a jornalistas do Brasil e da América Latina da qual pude participar. No tempo que me coube, fiz as perguntas abaixo. Boa leitura!


Transcrição: Leonardo Bondioli

Fotos: Divulgação


Marcelo Vieira: Nas letras do novo álbum vocês pintam o quadro de um mundo que deu errado. Considerando que as pessoas não aprenderam absolutamente nada em mais de dois anos de pandemia, vocês acham que a humanidade está fadada a cometer os mesmos erros vez após vez?

Frédéric Leclercq: Que pergunta sinistra! [Risos.] Não quero soar pessimista, mas, sim, estamos fadados a cometer os mesmos erros. Não sei você, mas quando eu estava trancado em casa, isolado durante a pandemia, dava para ver os animais voltando às cidades e houve uma diminuição da poluição. Todo mundo pareceu ficar empolgado, demonstrando ter aprendido algo com isso. Mas assim que as portas começaram a se abrir novamente, os mesmos erros voltaram a ser cometidos. Estamos condenados! Vamos todos morrer! [Risos.]

Sami Yli-Sirniö: Não há escapatória! [Risos.]

FL: A natureza humana é o que é; há pessoas boas e pessoas ruins. Tento ver o lado bom de tudo, mas acho que estamos num processo de de autodestruição. É muito difícil voltar atrás, a tempo de salvar o planeta. Todo mundo teria que, sei lá, parar de usar energia elétrica, celular... e ninguém vai abrir mão de tais confortos. Mas parabéns pela pergunta!


MV: O segredo seria tentar manter um equilíbrio, então?

FL: É difícil dizer com certeza. Tipo, não sou um profeta nem nada do tipo, tampouco sei se o que estou fazendo é o mais correto.



MV: Agora há uma pergunta para o Sami. Sendo finlandês, quando você começou a ouvir música e tocar guitarra, sofreu alguma influência das bandas alemãs?

SY-S: [que não entendeu muito bem a pergunta] Quando eu era mais novo, adolescente ainda, vim com minha primeiríssima banda para Berlim, fizemos alguns shows e, por algum motivo, acabei ficando pela cidade. Helsinki [capital da Finlândia] era muito mais introvertida e não tão internacional quanto hoje; atualmente gosto muito mais de lá. Naquela época senti que precisava encontrar um lugar para chamar de meu, como muitos sentem quando têm 19 ou 20 anos. [Risos.] Depois, me mudei para Dortmund, e foi por volta de 1997, quando o então guitarrista do Kreator, Tommy Vetterli, machucou a mão, e alguns contatos em comum decidiram me ligar e eu o substituí numa pequena turnê, tocando em alguns festivais e tal. Depois que o Tommy se recuperou, eu voltei para a Finlândia. Passado um tempo, os caras me ligaram para perguntar se eu gostaria de gravar um álbum [“Violent Revolution” (2001)] com eles e eu não pensei duas vezes: “Mas é lógico. Só dizer onde eu encontro vocês”. Vim para a Alemanha gravar e nunca mais voltei para Helsinki! [Risos.]



MV: Por fim, se houvesse um Big 4 do thrash alemão, quais três bandas vocês colocariam ao lado do Kreator?

FL: Do thrash metal é óbvio; todo mundo sabe a resposta: Destruction, Sodom, Tankard e nós. 

SY-S: Inclusive, está rolando a estreia de filme sobre a cena thrash alemã num cinema aqui perto, mas nós preferimos dar essa entrevista coletiva. [Risos.]

FL: Mas indo para além do thrash, eu incluiria o Helloween. Tipo, no início eles tinham uma pegada meio thrash, “Ride the Sky” e tal... Há tantas bandas por aqui quanto há peixes no mar, mas, ainda assim, caso houvesse um Big 4 do thrash alemão, creio que seríamos incluídos, mas se pensarmos em outros estilos, a Alemanha tem representantes muito maiores, como o Helloween, o Accept... tá, e nós também! [Risos.]

SY-S: A verdade é que não curto muito esse lance de rótulos...

FL: Eu costumava rotular tudo quando era mais jovem, mas conforme você amadurece, conclui que, no fim das contas é tudo música.



Adquira a edição nacional em CD de “Hate Über Alles” no site da Shinigami Records.


Comentários