ENTREVISTA: Alyson Garcia detalha a construção de “Zodiac” e analisa a nova fase do As The Palaces Burn
Com “Zodiac”, o As The Palaces Burn dá um passo decisivo em sua trajetória e se consolida como uma das forças mais consistentes do metal moderno nacional. Lançado em novembro e já com números expressivos nas plataformas digitais, o álbum reflete um momento de plena maturidade artística da banda catarinense, combinando peso, técnica e emoção em uma sonoridade atual, coesa e agressiva. Produzido por Adair Daufembach e gravado em estúdios de alto nível no Brasil, “Zodiac” não é um disco conceitual, mas se sustenta pela forte identidade sonora e por faixas que dialogam entre si com fluidez, intensidade e propósito.
Nesta entrevista exclusiva, o vocalista Alyson Garcia mergulha nos bastidores da criação do álbum, detalhando o processo de composição, a escolha da ordem das faixas, o impacto da produção de Daufembach e a importância de gravar em uma estrutura como o Elephant Studio. O músico também comenta a relação de confiança com o produtor, a contribuição técnica e artística do baterista Gilson Naspolini, a decisão de abordar temas densos como o caso do Assassino do Zodíaco sem recorrer ao sensacionalismo, e os próximos passos da banda após o lançamento.
Boa leitura!
Por Marcelo Vieira
Foto: Eduardo Mendes Köenig / Divulgação
“Zodiac” é um álbum ambicioso e marca uma fase de maturidade do As The Palaces Burn. O que ele representa como divisor de águas para você, pessoalmente?
“Zodiac” foi o momento em que senti que conseguimos unir tudo na medida certa: músicas mais diretas, refrões mais fortes — que, aliás, são a marca do disco — e uma sonoridade moderna. Para mim, é o nosso melhor trabalho até agora, a síntese do que é o ATPB.
Mesmo não sendo um álbum conceitual, o disco apresenta uma coesão clara, percebida pelos ouvintes. Como vocês definiram a ordem das faixas?
Fizemos isso ouvindo muito o álbum como um todo. Não pensamos em um conceito único, mas em como cada faixa se conectava emocionalmente com a seguinte. A ordem surgiu dessa busca por fluidez, quase como se as músicas conversassem entre si.
Por que a faixa “Zodiac” acabou dando nome ao álbum?
Ela foi a última música composta. O Gilson trouxe essa faixa com uma temática bem definida, que adicionou uma cor nova ao disco. Gostamos tanto que expandimos o conceito também para a arte. A música abre o álbum de forma sutil e inesperada, antes da sequência mais pesada e veloz. Foi uma escolha estratégica para dar identidade ao trabalho.
A música aborda o caso do Assassino do Zodíaco. Como vocês equilibraram tratar um tema real e violento sem ultrapassar limites éticos?
A ideia surgiu a partir do Adair, que sugeriu um tema forte e contemporâneo para completar o line-up. Coincidentemente, pouco depois a Netflix lançou um documentário [“Aqui Quem Fala é o Zodíaco” (2024)] sobre o caso, o que reforçou o timing. Mas nunca quisemos glorificar nada. A abordagem é mais atmosférica e psicológica, não sensacionalista. O caso já faz parte da cultura popular americana, então o tratamos com um certo distanciamento simbólico.
O álbum mistura heavy metal tradicional, thrash e elementos modernos. O que mais mudou em relação ao trabalho anterior?
Estamos em constante evolução. “Drowning Into Shadows” (2023) já apontava para esse caminho mais atmosférico e moderno. Aos poucos fomos nos abrindo a mais camadas, dinâmicas e experimentações. Isso aparece nos vocais, nos arranjos e na produção. E, claro, muito disso vem da contribuição do Adair.
Você acredita que esse equilíbrio de peso, técnica e melodia amplia o público da banda?
Sem dúvida. Essa é a trinca ideal. As novas músicas foram pensadas de forma mais direta, com estruturas que percebemos, ao longo dos lançamentos, que funcionam melhor para a banda e têm ótima recepção. Tudo aconteceu de forma natural. O Diego [Bittencourt, guitarrista], nosso principal compositor e diretor artístico, fez mais uma vez um excelente trabalho. Esperamos que o público se conecte ainda mais com o ATPB.
Como funciona o equilíbrio entre as ideias individuais e a assinatura da banda?
Geralmente o Diego traz os temas, as estruturas e as letras. A partir daí, todos começam a contribuir. Muitas músicas já chegam bem encaminhadas. Tanto no álbum anterior quanto em “Zodiac”, após essa primeira prévia, o Adair entra para lapidar tudo, até chegarmos às versões finais de gravação.
Gravar no Elephant Studio trouxe alguma influência especial para você?
Com certeza. O Elephant é uma das maiores estruturas do Brasil, com equipamentos de ponta e um ambiente completo — praticamente um hotel-estúdio. Além disso, grandes nomes já passaram por lá, então estar nesse espaço só aumentou a minha motivação para entregar o melhor possível nas gravações.
Vocês mantêm uma longa parceria com o produtor Adair Daufembach. O que isso muda na prática?
Muda tudo. O Adair é nosso amigo desde a adolescência e conhece profundamente cada um de nós. Ele sabe quando pode exigir mais e quando precisa respeitar o instinto da banda. Isso agiliza o processo e eleva muito o resultado final.
Durante as gravações, houve alguma sugestão dele que mudou o rumo de alguma faixa?
Deixamos a produção do álbum totalmente nas mãos dele. Na parte vocal, especialmente, sempre surgem muitos momentos criativos quando estou na cabine. Conseguimos resultados incríveis em detalhes e transições. Eu já chego preparado para ele “tirar sangue da garganta” [Risos.]
Gilson Naspolini elevou significativamente o nível técnico da banda. Como isso se reflete no resultado final?
O Gilson é um músico completo — produtor, baterista e multi-instrumentista. Desde o início, trouxe mais pluralidade, organização e qualidade para a direção musical, além de ser um baterista extremamente versátil. Isso fortalece muito o som do ATPB.
O festival de lançamento em Santa Catarina foi especial. Como você viveu esse momento?
Foi realmente marcante. Celebramos o lançamento em um pub de Criciúma (SC), com a exibição dos clipes de “Defying the Power” e “United Obsoletion”, contando com o apoio da 92FM, patrocinadores, amigos, família e público. Foi a coroação perfeita de todo o trabalho em torno de “Zodiac”.
Agora que “Zodiac” está lançado, quais são os próximos passos?
Expandir. Aproveitar ao máximo o feedback, fazer shows pontuais e colocar o ATPB na estrada, levando a banda para o próximo nível.
Todos os links úteis para acompanhar o trabalho do As The Palaces Burn estão aqui.


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