ENTREVISTA: David Reece fala sobre o resgate da marca Bangalore Choir e reavalia a fase no Accept



Em 2017, David Reece foi categórico: “o Bangalore Choir está morto”. Contudo, como não há melhor tempero que a fome, Reece — atento ao status cult que o grupo surgido no crepúsculo da era glam metal conquistou — decidiu capitalizar. Unindo nostalgia e o desejo de manter-se relevante, entregou o álbum duplo Rapid Fire Succession: On Target Part II no final do ano passado. O trabalho sucede o clássico On Target (1992) em nome e espírito, resgatando o hard rock de apelo radiofônico para os tempos de streaming. Mas, embora a forma seja saudosista, o conteúdo surpreende pela profundidade; afinal, seu autor comeu o pão que o diabo amassou ao substituir Udo Dirkschneider no Accept — carregando injustamente o peso do fracasso de Eat the Heat (1989) — e passou por poucas e boas nas quase quatro décadas desde sua estreia em disco. Boa leitura!


Por Marcelo Vieira


O título do novo álbum do Bangalore Choir faz clara referência ao clássico On Target. Ele foi concebido como uma continuação direta, musical e liricamente?

Exatamente. Vou tentar resumir. Passei quatro ou cinco anos excursionando como artista solo, sob o nome David Reece, e, sendo bem honesto, é difícil vender ingressos assim. Já o Bangalore Choir é uma marca consolidada — e, nos meus shows solo, sempre incluo músicas de On Target, que o público adora.

Então conversei com meu empresário e sugeri: “Em vez de usar apenas David Reece, por que não David Reece’s Bangalore Choir?”. A gravadora adorou a ideia. Mas, para isso, precisei voltar mentalmente mais de trinta anos, resgatar onde estava a minha cabeça naquela época. Eu tinha acabado de sair do Accept, fui para Hollywood, montei a banda e, depois de apenas nove shows, já estávamos recebendo propostas de várias gravadoras da Califórnia.

Aquelas músicas tinham algo especial. Quando as toco ao vivo, o público canta junto, se emociona. Então tentei recriar aquele espírito — o que não foi nada fácil. É complicado revisitar a própria mente décadas depois, em outro momento de vida, com outra energia. Mas acho que consegui. Algumas músicas trazem melodias que remetem ao On Target, e o processo foi intenso. No fim, fiquei muito satisfeito com o resultado.


O produtor Giles Lavery chamou esse disco de talvez o melhor da sua carreira. Você concorda?

Pode soar meio arrogante dizer isso, mas, em termos de foco na composição e na performance vocal, se não for o melhor, certamente está entre os melhores. Eu coloco entre os grandes trabalhos da minha carreira o Eat the Heat, do Accept, o próprio On Target e Cacophony of Souls (2020). Outros discos têm boas músicas, mas não o mesmo impacto — isso acontece com qualquer compositor.

Neste álbum, porém, a mágica aconteceu. Quando encontrei o estado de espírito certo, tudo fluiu. Preciso dar muito crédito ao Andy Susemihl, que já tocou no Bangalore Choir. Nós dois temos uma longa parceria na composição. No início, tentamos escrever algumas faixas, mas não estava funcionando. Então decidimos revisitar On Target, mergulhar naquele universo — e, a partir daí, as coisas começaram a acontecer.

Também escrevi três músicas com o Mario Percudani (Hardline), um compositor incrível. Trabalhei ainda com Marcel Singer, da Holanda, em “Sail On”, que tem uma pegada meio “Jump”, do Van Halen. Há também uma música com piano, numa vibe próxima de Elton John, com participação de Ferdy Doernberg. O Alcatrazz está representado com Jimmy Waldo nos teclados, e o baixista Gorka Alegre — com quem toquei na turnê com o U.D.O. — também participa.

Reuni músicos com quem já tinha química e sabia que entenderiam o que eu buscava. Então, sim, acredito que seja um dos meus melhores trabalhos. Mas quem sabe ainda exista um disco ainda melhor guardado no coração? Se você gosta de On Target, tenho certeza de que vai gostar deste também. Gravamos 24 músicas e selecionamos as melhores 16. O álbum foi dividido em duas partes, com oito faixas cada — e, curiosamente, acabou formando uma espécie de narrativa, como um livro, mesmo sem ter sido planejado assim.


Existe um conceito que conecta as duas partes do álbum?

Nunca fui de escrever sobre festas na Sunset Strip — esse glam exagerado não é muito a minha praia. Prefiro falar do que está na minha cabeça. Às vezes escuto alguém dizer algo interessante, penso “isso daria um ótimo título”, anoto, deixo a ideia amadurecer e depois construo uma história em cima.

Neste álbum, há muitas letras sobre arrependimento e sobre o ritmo acelerado em que vivemos. Hoje algo incrível acontece e, no dia seguinte, ninguém mais lembra — nossa capacidade de atenção simplesmente desapareceu. Isso aparece bastante nas músicas.

Musicalmente, sei o que o público espera de mim: hard rock com vocais fortes e muitos backing vocals. Buscamos aquele som grandioso, na linha de Bat Out of Hell (1977), do Meat Loaf, com produção de Todd Rundgren e Jim Steinman. Sou fã desse disco, assim como de Mutt Lange, Eagles, Tom Petty e Bad Company.

Mas não há nada de new metal aqui. Até tentei explorar esse caminho no meu último álbum solo, Baptized by Fire (2024), que foi bem recebido, mas muita gente — especialmente na Ásia — comentou que preferia quando eu soava mais como o Bangalore Choir. Então, este novo trabalho, tanto musical quanto liricamente, está bem próximo de On Target. Tem músicas rápidas, baladas, blues… um pouco de tudo.


Você já disse que havia questões em aberto com o Bangalore Choir. Com este álbum, sente que está encerrando um ciclo ou ainda há mais por vir?

Acho que ainda há mais por vir, dependendo da recepção. O interesse está crescendo. Quem já ouviu o álbum está empolgado, e a gravadora está investindo forte. Mas, no fim, é o público que decide. Como eu disse para minha esposa mais cedo: “Espero que as pessoas gostem”. Porque, no fim das contas, ou elas amam — ou não.


Há planos de vir para a América do Sul?

Já fui convidado inúmeras vezes para tocar na América do Sul. Cheguei muito perto de ir. Só preciso de um bom promoter — porque eu embarcaria amanhã mesmo!

Adoraria tocar aí. Quem sabe essa entrevista ajude a abrir portas. O problema quase sempre é o orçamento. Já me disseram, por exemplo, que eu teria que usar músicos locais — e, sinceramente, eu toparia. Já vi bandas incríveis daí. Mas, por algum motivo, nunca se concretizou.

Ainda assim, está na minha lista de desejos. Nunca toquei na América do Sul — e quero muito mudar isso.



On Target se tornou um clássico cult, mesmo tendo sido lançado em um momento complicado para o hard rock. O que, na sua visão, impediu o álbum de alcançar maior sucesso comercial na época?

Não foi falta de estrutura. Tínhamos a Warner Bros., o empresário Howard Kaufman — que trabalhava com Whitesnake e Heart —, fizemos turnê abrindo para o Lynch Mob… estava tudo certo.

Mas a música funciona em ciclos. Como dizia o Lemmy, você não mata o rock — ele apenas passa por fases. O problema é que o Nirvana lançou Nevermind (1991). Estávamos muito bem na MTV, vendendo bem nas primeiras semanas, mas, em um mês, o Nirvana já tinha vendido milhões de cópias. Rapidamente, as gravadoras mudaram tudo — contratos, direcionamento, prioridades. Foi devastador.

Lembro de estar em uma festa com Jani Lane, do Warrant, e outros músicos, todos se olhando e perguntando: “O que aconteceu?”. Depois, tentei algo mais próximo do grunge com o projeto Sircle of Silence, ao lado de Greg Chaisson, do Badlands. Mas os fãs do estilo percebiam que não era autêntico — éramos músicos dos anos 1980 tentando nos adaptar.

No fundo, eu sabia que o grunge não duraria para sempre. Em 2010, o Firefest [N.R.: festival britânico dedicado ao hard rock melódico e AOR, responsável por reunir diversas bandas cult do gênero] me ligou dizendo: “Se você conseguir reunir pelo menos três membros originais, queremos o Bangalore Choir no festival”. Convenci o Curt Mitchell e o falecido Danny Greenberg. Fomos, tocamos — o Andy também estava na banda — e a resposta foi incrível. O público sabia todas as letras. Gravamos um álbum ao vivo ali, praticamente sem ensaio, depois de 20 anos.

O grunge demorou mais para chegar à Europa e ao Reino Unido. Se eu soubesse disso na época, talvez tivesse mantido a banda ativa por lá. Mas acabei confiando nos executivos e deixei passar.


Hoje, mais de 30 anos depois, você ainda encontra fãs que descobriram o álbum recentemente?

O tempo todo. Já aconteceu de jovens de vinte e poucos anos virem falar comigo depois de shows — por exemplo, na França — dizendo: “Encontrei esse CD numa loja e adorei!”. Eles perguntam o que aconteceu, eu conto a história, e dizem que gostariam que eu voltasse mais vezes para tocar lá.

E quando toco músicas como “Slippin’ Away”, “Freight Train Rollin’” ou “Angel in Black”, vejo essa galera cantando tudo. É muito gratificante.

O mesmo aconteceu com Eat the Heat, do Accept. Relançaram o disco em vinil, e, quando eu estava em turnê com o U.D.O., apareciam fãs dizendo: “Eu te odiei quando você substituiu o Udo Dirkschneider, mas tenho que admitir: adoro esse álbum”. Então, 30 anos depois, o reconhecimento finalmente chega. Tá valendo!


Todas as músicas de On Target foram compostas pela banda, com exceção de “Angel in Black” e “Doin’ the Dance”. Como essas faixas acabaram entrando no álbum?

Isso veio muito da relação com a gravadora. Inclusive, eu lancei um disco chamado Beyond Target (2022) que reúne demos e gravações daquela época. Tínhamos composto algo entre 30 e 40 músicas.

E tem uma história curiosa: o baterista que gravou On Target acabou sendo substituído e, antes de sair, foi ao estúdio e roubou as fitas master — as versões mixadas. Depois entrou em contato dizendo que devolveria tudo mediante pagamento. Eu respondi: “Nem pensar, vou chamar o FBI e recuperar minhas fitas!” (risos)

Quando finalmente recuperamos o material, percebi que havia muitas músicas boas que ficaram de fora. Mas, voltando ao álbum, quando você trabalha dentro da indústria, sempre aparece gente que acredita saber o que é um hit.

Foi assim que conheci o Steve Plunkett, do Autograph. Ele me mostrou algumas músicas e, quando ouvi “Angel in Black”, disse na hora: “Essa é boa”. Ele respondeu que achava que combinaria com a minha voz — e gravamos.

Já “Doin’ the Dance” foi composta por Aldo Nova e Jon Bon Jovi. Um assistente meu comentou que o Jon estava trabalhando na trilha de Young Guns, na A&M Records, e que o Aldo também estava envolvido, compondo várias músicas. Fui até lá — afinal, quem recusaria a chance de conhecer o Jon Bon Jovi? — e eles me mostraram algumas faixas. Quando ouvimos “Doin’ the Dance”, meu guitarrista, Curt Mitchell, disse: “Dá para transformar isso em algo nosso”.

“Loaded Gun”, por sua vez, foi composta por Ricky Phillips, do Styx — e, para ser sincero, nunca gostei muito dela. Mas a gravadora insistiu: “Essa vai ser o hit”.

Curiosamente, quando lançaram “Loaded Gun”, a música começou a tocar bastante nas rádios, antes mesmo de “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, explodir. Ficamos meses entre as músicas mais adicionadas nas rádios, tocando em mais de 140 estações. O clipe entrou no Hard 60 da MTV, depois subiu para o Hard 30… tudo parecia caminhar bem.

Mas, de repente, acabou. Em questão de semanas, as rádios mudaram a programação, a MTV virou totalmente para o grunge e o rap. Foi inacreditável.

E não fomos só nós. Muitas bandas de hard rock tinham a mesma fórmula visual e sonora — vocalista loiro, dois guitarristas com visual exagerado, roupas chamativas… tudo começou a soar igual. Acho que, de certa forma, o próprio estilo se desgastou.

O público jovem queria algo diferente, letras sobre crescer, sobre dificuldades reais. O grunge captou isso perfeitamente, especialmente nos Estados Unidos.

A história da música é cíclica. Foi assim quando os Beatles chegaram aos EUA e mudaram tudo — o Elvis Presley ainda era enorme, mas o cenário mudou. Depois vieram o punk, a new wave, artistas como Tom Petty e Elvis Costello, depois o Van Halen, a New Wave of British Heavy Metal… é sempre assim.

Mas recentemente fui a um show do Judas Priest e vi crianças de 10 anos e pessoas de 70 cantando todas as músicas. Isso me dá esperança.


Você comentou que não gostava de “Loaded Gun”. Se dependesse apenas de você, qual teria sido o primeiro single de On Target?

Sem dúvida, “Angel in Black”. Ou “Slippin’ Away”. Depois viria “If the Good Die Young (We’ll Live Forever)”, que é a nossa grande balada. Essa, inclusive, nasceu muito rápido — coisa de meia hora. Já tínhamos o título, o John Kirk, nosso segundo guitarrista, começou a rascunhar alguns versos, eu entrei junto, e, ao final do ensaio, a música praticamente estava pronta.

Existem composições assim, que simplesmente “caem do céu” — eu chamo de uma espécie de chuva de ideias. Isso voltou a acontecer agora, no novo álbum. Depois que pegamos o ritmo, as músicas começaram a surgir sem parar. Eu, Andy e Mario passamos dois meses escrevendo e gravando direto.

Tenho um estúdio aqui perto de onde moro, em Piacenza, na Itália, a uns dez minutos de casa. O Riccardo Di Morosi, que além de baixista é engenheiro de som, me ajuda muito. E o Nalo Savinelli, baterista da minha carreira solo, completou a base. Tudo fluiu com naturalidade: surgia uma ideia, eu ia ao estúdio, gravava um esboço, ouvia, ajustava…

Voltando à pergunta: a banda detestava “Loaded Gun”, especialmente o Curt Mitchell. Ele dizia: “Não vou gravar isso, não tem nada a ver comigo”. Mas a gravadora e o management insistiram. E, sinceramente, eu concordo com ele. Sempre achei uma música morna. Até toquei ao vivo algumas vezes, mas é difícil de cantar, não me sinto à vontade. O público até reconhece, mas não reage como reage a “Angel in Black”, “Slippin’ Away”, “Just One Night”, “Freight Train Rollin’” ou “All or Nothin’”. Nessas, a energia é outra. Inclusive, encerramos os shows com “All or Nothin’” e “Angel in Black” — e o público vai à loucura.


Pouca gente sabe que Jared Leto fez sua estreia como ator no clipe de “Loaded Gun”. Você se lembra do dia da gravação?

Claro! Fui eu que escolhi o Jared. Fizemos testes com uns 50 garotos. Ele apareceu com a mãe, vestindo uma camisa xadrez e com aquele visual meio James Dean. Tinha exatamente o que procurávamos.

Anos depois, fui assistir ao show do Thirty Seconds to Mars na Alemanha, com 20 ou 30 mil pessoas. Consegui ir ao backstage e disse: “Você lembra de mim? Sou o David Reece, do Bangalore Choir”. Ele ficou empolgado: “Cara, aquele foi meu primeiro trabalho como ator!”.

Foi muito legal. Acho que pagamos uns 100 dólares para ele. A atriz do clipe também ficou famosa, mas não lembro o nome. Coisas da vida.



Vamos falar de Accept. Eat the Heat segue sendo um disco polêmico, mas respeitado. Como você enxerga aquela fase hoje?

Se não fosse o Accept, eu provavelmente não estaria aqui conversando com você. Sou muito grato por aquela oportunidade — abriu muitas portas. Depois que saí da banda e fui para a Califórnia, bastaram nove shows para começar a receber propostas das grandes gravadoras. Antes disso, ninguém sabia quem era David Reece. Depois do Accept, em Hollywood, todo mundo queria saber: “Qual é a banda? O que você está fazendo?”.

Mas foi um choque cultural. Eles eram alemães, eu americano. A decisão de trocar o vocalista veio muito por pressão de mercado. Balls to the Wall (1983) tinha vendido bem — cerca de 400 mil cópias, talvez mais —, mas a banda nunca conseguiu realmente estourar nos Estados Unidos. Então os empresários sugeriram: “Tragam um vocalista jovem, americano, com boa imagem e inglês fluente, para tornar o som mais comercial e conquistar o mercado americano”.

Só que não funcionou. E lembro de um momento muito marcante: durante as gravações, o produtor Dieter Dierks me chamou e disse: “Se esse disco fracassar, a culpa vai cair sobre mim e sobre você”. Eu, cheio de confiança, respondi: “Imagina, vai dar tudo certo”. Mas ele insistiu: “Não — vão dizer que fomos nós que destruímos a banda”. E foi exatamente o que aconteceu.

Hoje, no entanto, muita gente me procura dizendo que o álbum envelheceu bem. Tanto que regravei “Prisoner” no novo disco do Bangalore Choir — agora mais pesada, sem teclados, mais próxima do que deveria ter sido originalmente. O Giles Lavery insistiu muito nisso. Eu fiquei em dúvida, mas o resultado ficou excelente.

Na época, levei muita pancada — e o Accept acabou responsabilizando muita gente, principalmente a mim. Mas mantenho uma ótima relação com Udo Dirkschneider há quase 40 anos. Somos grandes amigos. No fim, foi tudo uma questão de timing.


Você ainda canta músicas do Accept nos seus shows?

Sim — “XTC”, “Hellhammer” e “Generation Clash”. O público conhece e curte bastante.


Para encerrarmos: se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho ao jovem David Reece dos anos 1990, qual seria?

Em termos de negócios, eu diria: aprenda a dizer não. Eu tinha medo de contrariar a gravadora, medo de perder contrato — e acabei deixando que me manipulassem. Se você, como artista, não se sente confortável com algo, diga não.

Curiosamente, quando finalmente comecei a dizer não, eles passaram a perguntar: “O que podemos fazer para te deixar satisfeito?”. E eu pensei: “Passei tanto tempo com medo, quando tudo o que precisava era me posicionar”.

Foi exatamente o que o Curt Mitchell fez com “Loaded Gun”. Se eu tivesse tido essa postura, talvez “Angel in Black” tivesse sido o primeiro single. Mas eu estava inseguro. Tinha acabado de sair do Accept, estava tentando me reerguer, não queria criar conflitos — queria jogar o jogo.

Hoje é diferente. No novo álbum do Bangalore Choir, só entraram músicas nas quais eu realmente acredito. Eu discuti, bati o pé e sustentei minhas decisões. Porque, no fim, sou eu que subo no palco para cantar. E, se não houver conexão emocional, o público sente. O show vira automático, vazio.

Outra coisa importante: passei anos lidando com vícios em drogas e álcool — e me arrependo profundamente disso. Não é necessário para fazer parte da cena, nem para ser aceito. O que importa é a música — sempre foi.

Claro que há compromissos ao gravar um disco, mas, se você mantiver sua integridade, o resultado final vai refletir quem você é de verdade. E o público percebe isso. Não existe fórmula mágica — nem mesmo os executivos das gravadoras dos anos 1980 e 1990 tinham.

Hoje em dia, tem muita “música fast-food”: você ouve uma, esquece, entra outra igual. Mas isso já acontecia nos anos 80 também. Quando o Whitesnake lançou o álbum de 1987, que tinha uma forte influência de Led Zeppelin, todo mundo quis soar igual. E assim vai: todo mundo entra no mesmo barco… até ele afundar.



Rapid Fire Succession: On Target Part II (BraveWords Records, 2025)


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