Em um
cenário em que poucas bandas brasileiras conseguem projetar o hard rock para
além das fronteiras nacionais, o Nite Stinger desponta como um de seus
principais representantes da atualidade. Após abrir shows para gigantes como
Europe e Hardcore Superstar e lançar o segundo álbum, What The Nite Is All
About, por um selo alemão, o quinteto paulistano confirma sua ascensão dentro
da cena internacional. Baixista, principal compositor e coprodutor do novo
trabalho, Bento Mello — filho de Branco Mello, dos Titãs — construiu uma
carreira própria no hard ’n’ heavy e defende uma visão moderna para o gênero,
na qual profissionalismo, identidade visual e presença de palco pesam tanto
quanto as canções. Nesta entrevista, ele analisa o atual momento do hard rock
brasileiro, fala sobre os desafios de uma banda independente e explica por que
acredita que o futuro da cena passa cada vez mais pela colaboração entre seus
integrantes.
Por
Marcelo Vieira
Se o
novo álbum fosse uma fotografia do Nite Stinger hoje, o que ele revelaria de
diferente em relação ao primeiro?
Engraçado
você usar essa imagem, porque esse é justamente o motivo de a capa trazer uma
foto da banda. Acho que este disco mostra uma identidade muito mais definida.
No primeiro, ainda estávamos nos conhecendo. Tínhamos ensaiado pouco, levantado
algumas músicas e, além disso, gravamos tudo durante a pandemia, sem estarmos
juntos o tempo inteiro.
Nesse
período entendemos melhor quem somos como banda. Houve mudanças de formação,
mas todas aconteceram de forma tranquila e continuamos amigos. Claro que,
quando entram ou saem integrantes, a dinâmica muda completamente.
Neste
álbum queríamos deixar claro quem é o Nite Stinger de hoje, e estamos muito
satisfeitos com o resultado. No primeiro disco, eu compunha pensando apenas no
que achava legal. Agora passei a escrever levando a banda em consideração.
Lembro de uma conversa com o Jack durante essa fase de mudanças, em que ele
comentou que talvez devêssemos soar um pouco mais sleazy. Alguns reviews
também diziam que o primeiro álbum era muito baseado em mid-tempos, e
isso ficou na minha cabeça.
Os
elementos do disco de estreia continuam presentes. Instrumentalmente, ainda
somos uma banda de hard and heavy, com bastante influência de grupos como
Accept. A diferença é que hoje o Jack encontrou melhor o lugar da voz dele
dentro desse som. Então, sim, este álbum é uma fotografia fiel de quem somos
atualmente.
Desta
vez vocês assinaram a produção do álbum. Como foi esse processo?
Produzimos
o disco em parceria com o Henrique Canale, baixista do Spektra e um produtor
extraordinário. Eu já havia trabalhado com ele no Sioux 66 e no Tales from the
Porn.
Assinei a
produção porque compus a maior parte da base instrumental e participei
intensamente de toda a pré-produção. Já na fase de gravação, mixagem e
definição dos timbres, o Henrique — ou Baboom, como todo mundo o chama — foi
fundamental. Ele é especialista nesse tipo de som e, na minha opinião, é um dos
melhores produtores do hemisfério sul para esse estilo.
Produzir
o próprio álbum mudou sua maneira de tocar baixo?
Não muito.
Meu jeito de tocar sempre foi simples, como pede o hard rock. O baixo está ali
para sustentar o peso, tocar junto com bateria e guitarras, dar swing quando
necessário e manter a base da música.
Hoje já
não toco guitarra em bandas, mas continuo compondo nela. Não sou um guitarrista
técnico, porém gosto de ficar criando riffs, experimentando ideias e tirando
músicas de outras bandas para buscar inspiração. Acho que mantive minhas
características, mas consegui criar algumas linhas de baixo bem legais neste
disco. Fiquei bastante satisfeito.
No
material de divulgação, vocês descrevem a faixa-título como se fosse o início
do “lado B” de um LP. Em uma época dominada por singles e playlists, vocês
ainda pensam o álbum como uma obra completa?
Com
certeza. O Nite Stinger é uma banda muito direta. Principalmente lá fora, muita
gente diz que não fazemos nada inovador, e realmente não fazemos. Nunca foi
essa a proposta. Tocamos o som que amamos ouvir.
As músicas
sempre nascem dos riffs e do instrumental, mas buscamos manter uma linguagem
comum entre elas. Mesmo quando uma faixa é mais cadenciada e outra mais
acelerada, todas compartilham a mesma essência do hard rock clássico.
Nossa
preocupação é fazer esse tipo de música com capricho e paixão. Sempre
defendemos que nossos discos foram pensados para serem ouvidos do começo ao
fim. Queremos que as pessoas se divirtam, que cantem os refrães nos shows e
vivam essa experiência. A ideia é justamente essa: fazer um álbum simples,
pesado e extremamente divertido.
A vida noturna aparece quase como um personagem do disco. O que ela representa para você: celebração, fuga ou uma metáfora para alguma coisa?
Acho que,
antes de tudo, representa a nossa realidade. Eu trabalho na noite — inclusive
estou usando uma camisa da Glam Slam, o evento que produzo. Para quem toca em
banda, é importante viver esse ambiente, porque é ali que tudo acontece. Se
você quer tocar em um lugar, precisa frequentá-lo, pelo menos aqui em São
Paulo.
Nós também
somos muito amigos. Saímos juntos, nos divertimos juntos, e as letras do Jaque,
como em “The Night’s Never Over” e “What the Nite Is All About”, refletem
exatamente isso. Não é uma fantasia; é a nossa vida. Somos, de fato, pessoas da
noite, e isso faz parte da identidade da banda.
O hard
rock parece viver em ciclos. Há cerca de vinte anos houve aquela explosão do
sleaze, com discos como Rest in Sleaze, do Crashdïet, que marcou uma
geração. Você sente que existe hoje um movimento semelhante? Como enxerga o
cenário atual?
Acho que
aquele movimento nunca desapareceu; ele continua reverberando. A diferença é
que hoje ele encontrou seu espaço. Não tem mais a dimensão que o hard rock teve
nos Estados Unidos nos anos 1980, mas se consolidou como uma cena de nicho.
As
principais bandas ainda são aquelas que surgiram no início dos anos 2000. O Crashdïet,
por exemplo, continua ativo — agora com o Cris, que inclusive participa do
nosso disco. O Hardcore Superstar segue como uma potência. O H.E.A.T., embora
tenha um som mais melódico, também nasceu naquela onda, assim como tantas
outras.
Ao mesmo
tempo, surgem bandas novas o tempo todo. A Pride & Joy Music lança muita
coisa interessante. Gosto bastante do Wildness, por exemplo, e adoro o Cruel
Intentions, do Lizzy, ex-Vains of Jenna. É uma banda mais recente que mantém
vivo esse espírito.
Então vejo
um cenário saudável. O revival já aconteceu; agora o estilo encontrou seu lugar
e segue se renovando. Há bandas excelentes surgindo em vários países, inclusive
no Brasil.
Você
sente que o público brasileiro consome o hard rock nacional de maneira
diferente do hard rock internacional?
Com
certeza. Se olharmos de forma mais ampla, o hard rock funciona muito bem no
Brasil. Guns N’ Roses continua lotando estádios, assim como Aerosmith fazia. O
problema é que isso vale para os grandes nomes. Para as bandas novas, aqui e lá
fora, continua sendo um mercado de nicho.
Não existe
uma ferramenta realmente eficiente para divulgar esse tipo de banda. A internet
ajuda, claro, mas ela só leva o público até quem realmente se interessa pelo
gênero. Não basta gostar; é preciso procurar.
Mesmo
assim, acho que estamos vivendo um momento interessante para o hard rock e o
heavy metal nacionais. Somos poucos, mas existe uma cena muito forte. Na época
em que eu tocava no Sioux 66, por exemplo, havia também uma retomada do rock em
São Paulo, com a volta da 89 FM e casas como o Manifesto sempre cheias. A cena
da Rua Augusta vivia um momento muito bom.
Depois da
pandemia houve um período de baixa, mas hoje o que mais me anima é ver uma
geração nova chegando. Eu e meus amigos brincávamos que éramos “os moleques do
Manifesto”. Hoje estou com 34 anos e vejo garotos de 18, 20 anos ocupando esse
espaço. Essa renovação é fantástica, porque traz público novo e bandas novas
muito boas.
O álbum
foi lançado pela já citada alemã Pride and Joy. Essa escolha aconteceu por
oportunidade ou ainda existe aquela percepção de que uma banda brasileira de
hard rock e heavy metal precisa primeiro conquistar reconhecimento no exterior
para ser valorizada aqui?
Acho que
existe um pouco disso, sim. Para uma banda de hard rock funcionar de verdade,
ela precisa alcançar todos os mercados possíveis, porque o público está
espalhado pelo mundo.
Se você
depender apenas do Brasil, o alcance será naturalmente limitado. Ninguém entra
nesse estilo esperando viver dele — sabemos que é um dos mercados mais difíceis
que existem. Mas é possível fazer a banda crescer, desde que você pense
globalmente.
Como
cantamos em inglês e fazemos um som claramente voltado para esse universo, o
mercado internacional faz parte dos nossos objetivos desde o começo. Já vimos
outras bandas brasileiras conseguirem isso. Electric Gypsy e Marenna fizeram
turnês muito legais pela Inglaterra, por exemplo. No heavy metal tradicional
também há casos como Creatures e Trovão, que tocaram em festivais na Alemanha.
No fim das
contas, é um único público, só que distribuído pelo mundo inteiro. Por isso,
faz todo sentido buscar esse mercado.
A cena brasileira parece hoje mais colaborativa ou ainda existe um clima de competição entre as bandas?
Acho que
hoje ela é muito mais colaborativa do que já foi. A minha geração — e
principalmente a que veio depois — tende a trabalhar muito mais em conjunto.
Isso reflete até no comportamento do público. Antigamente era comum ver gente
vaiando a banda de abertura; hoje isso praticamente não existe, felizmente.
Também percebo muito menos barreiras entre os diferentes subgêneros do heavy
metal. Essa união fortalece a cena e faz com que o nosso nicho fique cada vez
mais sólido.
São
Paulo é naturalmente o principal polo dessa cena, mas que outras cidades chamam
sua atenção pela força do hard rock?
Sem
dúvida, Curitiba. Fora São Paulo, é a cidade que mais me impressiona. Tem
excelentes músicos, boas casas de show e um público muito fiel. Para mim, é a
principal referência.
Belo
Horizonte também é muito legal, embora tenha uma vocação mais voltada ao heavy
metal tradicional e ao metal extremo, por toda a história com bandas como
Sepultura e Sarcófago. Ainda assim, sempre encontramos um ótimo público por lá.
Nos
últimos anos viajei bastante com a Glam Slam e descobri cenas muito
interessantes. Florianópolis, por exemplo, surpreende. Muita gente imagina que
não exista uma cena forte, mas há bandas excelentes e uma galera muito dedicada
— o pessoal do Star Shock faz um trabalho incrível na organização dos eventos.
Claro que
São Paulo continua sendo um caso à parte pelo tamanho da cidade. Basta
comparar: a população daqui é maior do que a de países como a Suécia, um dos
maiores celeiros do hard rock mundial.
Você
acha que a nova geração do hard rock brasileiro está conseguindo se livrar dos
estigmas do gênero, como o excesso de saudosismo e superficialidade?
Acho que
sim. Engraçado que eu mesmo sou um cara bastante saudosista (risos), mas a
banda precisa estar conectada ao presente. Aquela imagem caricata do hard rock
de 1987 já passou.
Hoje vejo
as bandas entendendo que o projeto precisa funcionar como um todo. Costumo
dizer que existem duas pirâmides. Na primeira, a base é a música — sem boas
músicas, não existe banda. Na segunda, a música está no topo, sustentada por
todo o restante: identidade visual, fotos, logotipo, conceito, divulgação...
Tudo isso faz parte da experiência.
Costumo
dizer que hard rock é um gênero para se ouvir com os olhos. Não adianta subir
ao palco vestido como se estivesse indo à padaria.
(risos)
Concordo totalmente. Faz todo sentido.
Mesmo
assim, você acredita que essa estética ainda enfrenta resistência de um público
mais amplo no Brasil?
Com
certeza. Isso tem relação com a falta de espaços de divulgação para bandas de
rock em geral. Ainda existe uma ideia de que música com guitarra não pode tocar
na TV ou no rádio. Hoje a internet mudou muita coisa, mas ainda há quem espere
descobrir bandas pela mídia tradicional.
Essa
resistência é cultural e acompanha o rock há décadas. Todas as bandas passaram
por isso. Vejo isso de perto até com a banda do meu pai, os Titãs. Sempre que
lançam material novo, enfrentam dificuldades para divulgar. Muitas vezes
precisam recorrer a versões acústicas ou adaptações para conseguir espaço. É
uma realidade antiga.
Deve
ser cansativo.
Muito.
Além de responder sempre às mesmas perguntas sobre reuniões, separações e
histórias antigas, eles ainda enfrentam essa barreira na divulgação. Parece
que, para parte da mídia, basta ter guitarra para a música perder espaço.
Enquanto esse preconceito existir, o rock continuará enfrentando esse desafio.
O novo álbum conta com participações especiais, entre elas Stevie Rachelle, do TUFF. Esses convites surgiram por estratégia ou por afinidade?
Foram
totalmente por afinidade. Quase todos começaram em conversas de bar. O Steve é
um grande amigo meu. Já toquei com ele, faço turnês desde 2018 e a gente sempre
manteve contato. Também fiquei muito próximo do Chris e do Jack. Chegamos a
convidar outras pessoas, mas elas acabaram não podendo participar.
O Roger,
por exemplo, tem uma história especial. Ele foi guitarrista da formação
original do Nite Stinger e coproduziu o primeiro álbum comigo. Depois que saiu
da banda, eu precisava dar um gás na pré-produção deste disco e o chamei para
ajudar. Ele acabou colaborando em algumas composições e, quando gravou a demo
de Only You, fez um solo tão bom que eu falei: “Ninguém mexe nisso”. O solo da
demo acabou ficando na versão definitiva.
Já o
Chris... eu estava acompanhando o trabalho dele no Midnight Danger e fiquei
muito feliz quando entrou para o Crashdïet. Fui algumas vezes à Suécia nos
últimos anos, fizemos churrasco na casa dele e, enquanto ouvíamos Night of the
Crime, do Icon, surgiu a ideia: “Grava um solo para a gente”. Como havia uma
faixa mais hard and heavy, achei que combinava perfeitamente com ele.
O Hugo
Mariutti também é amigo de todos nós e conversa bastante com o Bruno por causa
do estúdio onde ele trabalha. Foi uma participação que aconteceu naturalmente.
E o Léo gravou o solo de Highway Bound. Ele chegou a tocar alguns shows
conosco, inclusive a apresentação de abertura para o Europe.
Vocês
já abriram shows para Europe e Hardcore Superstar, bandas das quais imagino que
você já fosse fã. Dividir o palco com artistas desse porte muda a forma de
enxergar a própria carreira?
É
engraçado porque eu já tinha vivido isso antes, na época do Sioux 66. Na
primeira vez, claro, bate aquele deslumbramento. Afinal, você está ao lado de
bandas que admira desde adolescente, e isso fica marcado para sempre.
Mas,
depois que a ficha cai, você percebe que nada muda de verdade. Você continua
sendo o mesmo músico, na mesma cena e com a mesma banda. O mais importante é
tocar para um público grande, fazer um grande show e despertar o interesse das
pessoas pelo seu trabalho.
Na
prática, abrir shows acaba sendo uma das ferramentas de divulgação mais
eficientes que existem. Conseguir esse espaço é uma batalha enorme, mas, quando
acontece e tudo dá certo, a sensação é de missão cumprida.
Essa
dificuldade acontece pela escassez de oportunidades ou porque ainda existe a
cultura de bandas que pagam para abrir esses shows?
Acho que
existe um pouco dos dois. Não vou ser hipócrita: já recebi propostas para
comprar um espaço de abertura e, dependendo da situação, pode fazer sentido. É
um investimento, assim como gravar um disco ou produzir um videoclipe. Se a
oportunidade vale a pena, faz parte da estratégia da banda.
O problema
é quando quem ocupa aquele espaço não está preparado para ele. Eu acredito que
o Nite Stinger tem condições de subir nesses palcos. O contratante também pensa
nisso: ele não vai colocar uma banda que possa comprometer o evento.
Porque
tocar num palco desse tamanho sem estar pronto pode ser um desastre. Lembro da
época do Sioux 66, quando abrimos para o Aerosmith. Antes do show, uma pessoa
muito experiente da equipe chegou a dizer que talvez ainda não estivéssemos
prontos para um palco daquela dimensão. Aquilo nos marcou.
Passamos
por uma maratona de ensaios e chegamos preparados. No fim, fizemos um show do
qual me orgulho muito e fomos muito bem recebidos. Foi um aprendizado enorme.
Com o
Europe a situação já foi diferente. A banda tinha mais experiência, a estrutura
era maior, o palco era excelente e tudo fluiu naturalmente. Quando você chega
preparado, a experiência muda completamente.
Na sua
opinião, o que as bandas brasileiras ainda podem aprender com as estrangeiras
em termos de profissionalização?
Principalmente
entender que o trabalho de uma banda não se resume à música. Ensaiar as canções
é só uma parte do processo.
As bandas
gringas ensaiam o espetáculo inteiro. Tudo é pensado nos mínimos detalhes:
entradas, saídas, movimentação, falas do vocalista, dinâmica do show. Você vê
até bandas de médio porte fazendo isso. O Enforcer, por exemplo, tem um show
absolutamente milimétrico.
O próprio
Kiko Loureiro comentou recentemente como funcionavam os ensaios do Megadeth:
eles ensaiavam exatamente o show que fariam no palco, para que nada fosse
surpresa.
Às vezes
vejo bandas excelentes musicalmente, com bom visual e ótimas músicas, mas que
ainda não dominam esses pequenos detalhes. Saber quando o vocalista deve falar,
como ocupar o palco, como manter o ritmo do espetáculo... tudo isso faz a banda
parecer muito maior do que realmente é.
Felizmente,
muitas bandas brasileiras já entenderam isso e fazem esse trabalho muito bem.
Acho que esse é o caminho para toda a cena crescer.
Por ser filho de uma figura tão conhecida da música brasileira, você sentiu que precisou provar seu valor em dobro?
Quando
lancei o primeiro EP do Sioux 66, confesso que bateu um certo pânico. Lembro de
ligar para a minha namorada na época quase chorando, pensando: “Agora começou
de verdade”. Era a sensação de que tudo passaria a ser julgado.
Mas meu
pai sempre lidou com isso da melhor forma possível. Quando percebeu que eu
queria seguir pelo heavy metal, simplesmente me deixou trilhar meu próprio
caminho. Não era a cena dele, nem fazia sentido interferir. O Sioux 66 até
tinha algumas influências em comum, mas depois fiz muita coisa diferente e
construí minha própria trajetória.
Claro que,
quando você faz algo que alcança um público maior, sempre aparece alguém
dizendo que está ali por ser filho de fulano. Mas quem fala isso não conhece a
realidade. Meu pai tem a carreira dele, eu tenho a minha. São caminhos
completamente diferentes.
Hoje acho
que isso acabou sendo positivo. Só fui trabalhar musicalmente com ele depois
dos 30 anos, durante a pandemia, quando começamos a colaborar em trilhas
sonoras. E funciona muito bem, mas cada um no seu espaço.
Esse
tipo de comentário ainda acontece?
Quando o
trabalho ganha mais visibilidade, acontece, sim. Mas, sinceramente, não me
incomoda. Eu sei da minha caminhada, do quanto trabalhei e continuo trabalhando
para conquistar o meu espaço. É isso que importa.
Mesmo
atuando em um universo completamente diferente do seu pai, existe um senso de
responsabilidade em relação ao sobrenome que você carrega?
Com
certeza. Isso sempre fez parte da educação que recebi. Meus pais sempre diziam:
“Somos pessoas respeitadas. Por favor, não estrague isso.”
Não era
uma cobrança para seguir a carreira deles, mas para agir com responsabilidade e
respeito pelas pessoas. Esse é um valor que levo comigo até hoje.
Onde
você imagina o Nite Stinger daqui a dez anos, tanto na cena brasileira quanto
na internacional?
Para ser
sincero, ainda estou pensando nos próximos meses. (risos)
Acabamos
de lançar um clipe, temos o show oficial de lançamento do álbum marcado para 20
de março e queremos colocar a banda na estrada. Estamos negociando
apresentações fora de São Paulo, em cidades como Curitiba e Belo Horizonte,
além de oportunidades no exterior.
Uma coisa
que me deixa muito animado é que estou vivendo uma fase extremamente criativa.
Já tenho pelo menos quatro ideias bem sólidas para o próximo trabalho. Entre o
primeiro e o segundo disco passaram quase quatro anos, muito por causa da
pandemia e das mudanças de formação. Desta vez, certamente não vamos demorar
tanto.
Mais do que qualquer objetivo específico, quero que o Nite Stinger seja lembrado como uma banda divertida, que faz as pessoas se divertirem junto com ela. Sempre foi essa a nossa proposta: reunir gente, celebrar o hard rock e proporcionar uma experiência divertida para quem está no palco e para quem está na plateia. É assim que espero que as pessoas se lembrem da gente.



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