ENTREVISTA: Chris Barnes economiza nas palavras para falar de novo álbum e vindouros shows do Six Feet Under no Brasil
Com realização da Venus Concerts, o Six Feet Under finalmente fará sua primeira turnê pelo Brasil, com quatro shows em Belo Horizonte/MG (30/10), Limeira/SP (31/10), São Paulo/SP (01/11) e Curitiba (02/11). Mas o vocalista Chris Barnes não pareceu estar lá tão empolgado para falar sobre o giro nem sobre o recém-lançado álbum Next to Die e assuntos correlatos à sua discografia — ou, na melhor das hipóteses, estava num péssimo dia para ser entrevistado. O bate-papo que você está prestes a ler era para ter durado de 20 minutos a meia hora. Acabou em menos de 10. Fica a torcida para que a experiência dos fãs não reflita a vivida por este jornalista. Boa — e breve — leitura!
Por Marcelo Vieira
Antes de mais nada, o que você sabe sobre o público brasileiro de death metal e o que espera descobrir quando finalmente estiver diante dele?
Na verdade, não sei muita coisa. Pelo que tenho visto, existe uma cena muito forte na América do Sul e Central. Então, estou ansioso para subir ao palco diante de todos os fãs que gostam do Six Feet Under.
Como será montado o repertório para essa primeira passagem pelo Brasil? Vocês pretendem construir um set que percorra toda a história do Six Feet Under ou vão se concentrar principalmente nos álbuns mais recentes?
Vamos tocar o mesmo repertório que temos tocado durante o verão [no hemisfério norte] em nossas turnês pela Europa e pela América do Norte. Há bastante material clássico e algumas músicas novas dos dois últimos álbuns.
O Brasil tem uma história particularmente forte dentro do death metal. Quando você pensa nas bandas brasileiras que fizeram parte dessa história, quais nomes ou álbuns vêm imediatamente à sua cabeça?
Sepultura. Mas não acho que o Sepultura seja death metal. É só uma banda de metal do Brasil e tal, sabe?
Além dos shows, há alguma coisa especificamente brasileira que você gostaria de conhecer enquanto estiver no país — comida, música, algum lugar específico ou simplesmente entrar em contato com a cultura?
Ah, realmente não terei tempo para experimentar nada, basicamente, além de subir ao palco e estar preparado para isso. Quando estou em turnê, não encaro como se estivesse de férias. Estou trabalhando e fazendo o trabalho para o qual fui contratado. Então, concentro-me realmente em estar preparado e manter a cabeça focada.
O título do novo álbum, Next to Die, sugere uma reflexão bastante direta sobre a mortalidade. Depois de mais de três décadas escrevendo sobre a morte, você sente que sua relação com esse tema mudou?
Não acho que o álbum tenha como base uma relação direta com a mortalidade. Nas letras das músicas que escrevi para o álbum, estou realmente focado naquilo em que costumo me concentrar, que é o caminho para onde a música me leva em termos de histórias e pensamentos que tenho sobre diferentes aspectos da vida. Se desenvolvi uma relação diferente com a morte? Na verdade, não. Sempre tive mais ou menos as mesmas ideias a respeito, então simplesmente gosto de explorar meus pensamentos por meio da música.
Next to Die é o terceiro álbum que você e Jack [Owen, guitarrista] fizeram juntos desde a reunião da banda. Você sente que, a cada disco, essa parceria está revelando uma identidade própria que talvez não existisse quando vocês trabalhavam juntos no passado [no Cannibal Corpse]?
Não.
Como funciona sua parceria criativa atualmente? Depois de tantos anos e tantos álbuns, o processo de composição mudou desde que vocês voltaram a trabalhar juntos, em 2017?
Acho que essa é uma maneira meio dramática de enxergar as coisas. Nós simplesmente nos divertimos compondo juntos.
Você começou a escrever letras extremamente gráficas com o Cannibal Corpse, em uma época em que esse tipo de abordagem era praticamente uma nova linguagem dentro do death metal. Depois de mais de 30 anos, o que ainda pode ser explorado nesse território sem simplesmente repetir imagens que o gênero já utilizou milhares de vezes?
Na verdade, não vejo dessa maneira. Simplesmente faço uma música de cada vez.
Algumas das letras de Next to Die parecem se inspirar menos no horror ficcional e mais em sentimentos ou experiências reais relacionados à morte, à dor e à perda. O que fez você aproximar esses dois mundos?
Novamente, não vejo as coisas dessa maneira. Se é isso que alguém extrai da minha escrita e das minhas letras e coisas do tipo, é assim que essa pessoa vivencia isso. Mas não é assim que eu vivencio. Sempre escrevi cada música tendo como tema questões relacionadas à vida e à morte.
Existe uma diferença entre a maneira como você assume um personagem fictício e a maneira como escreve sobre algo que realmente o afetou?
Eu simplesmente escrevo sobre aquilo que me interessa.
Há alguma música no novo álbum cujas letras você considere particularmente pessoais ou reveladoras, mesmo que isso não seja necessariamente evidente para o ouvinte?
Se as pessoas vivenciam as músicas da maneira como vão vivenciá-las, não quero, de certa forma, impor limites a isso. Então, não me importo muito com a maneira como as pessoas vivenciam minhas letras. Se elas despertam o interesse delas da maneira que quiserem, está tudo bem para mim.
Quando você olha para esses mais de 30 anos de Six Feet Under, o que mais mudou: a música que você quer fazer, a maneira como enxerga o death metal ou a maneira como se vê dentro dele?
O que mais mudou ao longo dos anos no Six Feet Under? Provavelmente a formação, os músicos com quem tive a oportunidade de trabalhar.
Haunted, Warpath e Maximum Violence continuam sendo referências inevitáveis quando se fala sobre a identidade inicial da banda. Como você ouve esses álbuns hoje?
Ah, eu realmente não ouço minha própria música, então não escuto esses álbuns hoje, a menos que esteja ensaiando essas músicas. Então, isso é, novamente, a maneira como outras pessoas enxergam as coisas, caso considerem esses discos referências ou algo do tipo. Cada música que escrevi, cada álbum que fiz nos últimos 38 anos, tudo isso é um único álbum para mim. Então, não vejo as coisas como se estivessem divididas em álbuns. É simplesmente uma obra gigantesca.
O que significa “ser extremo” para você hoje?
(interrompendo) Eu não sou extremo.
…Musicalmente falando, é uma questão de velocidade e brutalidade ou a música pode ser igualmente extrema por meio de atmosfera, groove, dinâmica e tensão?
Não acho que nada disso seja importante. Acho que o importante é fazer aquilo que você mesmo gosta.
Você passou por várias mudanças geracionais dentro do metal. O que mais o surpreende na maneira como uma banda de death metal é recebida por ouvintes que nasceram décadas depois dos primeiros álbuns dela?
Acho realmente incrível que esse estilo de música tenha continuado existindo todos esses anos.
Depois de uma carreira tão longa, o que ainda precisa acontecer durante um show do Six Feet Under para que você saia do palco pensando: “É por isso que ainda fazemos isso”?
Ah, simplesmente ver as pessoas se divertindo.
Qual é a sua mensagem para os fãs brasileiros?
Vejo vocês em breve e, ah, vai ser muito bom. Então, comprem seus ingressos logo, porque não acho que voltaremos por um bom tempo depois disso. Se você quer ver a banda, a hora é agora.
Mais informações em https://venusconcerts.com.br/.




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