RESENHA: Tiamat – “Wildhoney” (Relançamento 2019)


 Tiamat – “Wildhoney”

Lançado originalmente em 1º de setembro de 1994

Cold Art Industry – NAC. – 66min


Segundo o Enûma Eliš, o mito de criação babilônico, Tiamat é a deusa primordial, a mãe de todos, a senhora do oceano. Representa a beleza e a criação, mas também o caos e a ameaça. É também o nome do dragão de cinco cabeças do desenho Caverna do Dragão. Último na ordem, mas não o menos importante, Tiamat é como se chama uma das bandas pioneiras do metal sueco, responsável por um dos álbuns mais marcantes, diversificados e ousados da história.


Wildhoney é um dos muitos exemplos de que a Escandinávia não estava de brincadeira em 1994: meses antes, os noruegueses do Emperor haviam lançado In the Nightside Eclipse, e o Darkthrone, também da Noruega, Transilvanian Hunger, sem contar Tales from the Thousand Lakes, segundo álbum dos finlandeses do Amorphis e considerado por muitos como o melhor da banda, também daquele ano. 


Mais que isso, o quarto disco do Tiamat mostrou que o vocalista e guitarrista Johan Edlund – à época acompanhado pelo baixista Johnny Hagel e com Waldemar Sorychta desempenhando mais do que o papel de produtor – era capaz de ir muito além da temática mórbida e da sonoridade restrita aos clichês do Black e do Death Metal.



Sendo assim, Edlund, que vinha ouvindo muito Pink Floyd na época, resolveu incorporar elementos psicodélicos e atmosféricos à receita, dando origem ao que a Metal Hammer chama de Dark Metal, mas que ouvidos mais leigos entenderão como um improvável meio-termo entre o gótico suave (“Whatever That Hurts”) e o progressivo menos virtuose e mais World Music, notável nas instrumentais “25th Floor”, “Kaleidoscope” e “Planets”, com pinceladas até de Folk Music na acústica “Do You Dream of Me?”.


No que diz respeito às letras, tem-se desde o diabo falando em primeira pessoa (“Visionaire”) até um manifesto em apoio a uma eventual sede de vingança da Terra com um quê de visão de fim do mundo (“Gaia”). Já na extensa “A Pocket Size Sun”, que encerra o disco, o assunto é pura e simplesmente o LSD. Vale dizer que todas as texturas aplicadas ao panorama desse épico visam à ambientação da viagem lisérgica habilmente descrita na letra.



A edição comemorativa, limitada e exclusiva para o mercado brasileiro, além de vir com slipcase com acabamento em hot-stamping prateado – em clara alusão ao jubileu de prata do disco –, traz como bônus as faixas do EP “Gaia”, também de 1994, cujos destaques são o cover da instrumental “When You’re In”, do Pink Floyd, e o remix industrial/eletrônico de “The Ar”. 


Ateste você também a beleza atemporal desse clássico. E, de quebra, descubra a fonte onde Lacuna Coil, Moonspell, Rotting Christ e muitos outros noventistas beberam antes de lançar alguns de seus melhores trabalhos. 


Restam pouquíssimas unidades de Wildhoney em estoque. Portanto, corra e compre aqui o seu!


Texto originalmente publicado no site Metal Na Lata em 31 de janeiro de 2020.

Comentários

  1. Obrigado brother pela excelente resenha e pelo apoio de sempre e sempre!!!

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