REVIEW: Tysondog – “Beware of the Dog” (Relançamento 2020)


Tysondog – “Beware of the Dog” 

Lançado originalmente em 1984

Voice Music / Rock Brigade Records – NAC. – 47min


Não é de hoje que a única coisa que vai para frente no Brasil é o atraso. Prova disso é o LP de estreia dos ingleses do Tysondog só ter chegado ao país em 1987, mesmo ano em que o quinteto natural de Newcastle encerrou suas atividades. Passados 35 anos do lançamento original pela Neat Records e 21 do relançamento nacional em CD duplo – incluindo o sucessor “Crimes of Insanity” (1986) – pela Rock Brigade Records, “Beware of the Dog” volta ao mercado brasileiro como parte da série Rare Archives, trazendo bonus tracks, luva, pôster e encarte recheado com letras, fotos e fac-símiles da época, incluindo a resenha de um show da banda em Londres, em 1985, assinada pelo próprio Antonio D. Pirani, fundador da Rock Brigade Magazine. 


Em matéria de som, “Beware of the Dog” vai na contramão do que estava em voga na Inglaterra, mas ainda fervilhava em países da Europa continental; sobretudo na Holanda, onde nomes como o Jaguar reinavam absolutos. Ao invés de fazer como a maioria das bandas da New Wave of British Heavy Metal e amaciar o som visando ao público estadunidense, Clutch (vocais), Alan Hunter (guitarra), Paul Burdis (guitarra), Kevin Wynn (baixo) e Ged Wolf (bateria) apostaram no feijão com arroz, e para obterem um resultado brutal sob medida contaram com ninguém menos que Cronos (Venom) na produção. Há quem diga que o cara, que também contribui com urros de fundo na música “Demon”, só teria aceitado o trabalho por Wolf ser irmão de Eric Cook, então empresário do Venom. Uma entrevista concedida para a Metal Forces reforça a tese e planta a treta: “[Tysondog é] uma porcaria, uma cópia de Judas Priest”, disse Cronos.


Porcaria não é. Cópia? Talvez. O fato é que o som lembra bastante o do Priest – “Dog Soldiers” tem algo de “Metal Gods” enquanto “The Inquisitor” usa o mesmo molde de “Hell Bent for Leather” –, mas não o suficiente para cronistas musicais como Malcolm Dome, Dante Bonutto e Geoff Barton – o responsável por cunhar o termo NWOBHM – não preverem um futuro brilhante que infelizmente nunca se concretizaria. Talento havia, inclusive nas letras: “Dead Meat” é um ataque à então primeira-ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, e ao modelo econômico por ela estabelecido. Se faltou o timing para decolar, paciência. Como diz um dos versos finais da derradeira “In the End”: “Time’s the only healer”. Reformado em 2008 pelas mãos de Burdis e Wynn, o Tysondog segue na ativa. Seu disco mais recente é “Cry Havoc”, de 2015. 


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